Mochilão com Rafael Faria

The world is a book, and those who do not travel read only a page. (St. Augustine)

Hawaii – Big Island

Cheguei em Big Island e fui procurar uma shuttle pra me levar até o hostel, em Hilo. Acabei descobrindo que eles não tem nenhum serviço de shuttle e que eu teria que pegar um taxi. Do aeroporto até o hostel foram 18 doláres e vice versa. A motorista era bem simpática e me explicou um monte de coisas sobre a ilha, onde eu pegava ônibus, o que fazer e o que não fazer.

Cheguei no Hostel fui muito bem recebido pelo dono, Scott. Acertamos as diárias, me deu a chave e me mostrou o meu quarto. Ele me colocou em uma double bed, que é mais ou menos uma cama de casal e me mostrou os banheiros, que são comunitários mas separados pra homem e mulher.

O Hostel é simples, nada de mais, parece mais uma casa com vários quartos, cozinha e banheiro e uma sala onde na TV não tem nenhum canal mas você pode pedir algum dos DVDs que ele tem disponível. Internet é o olho da cara, 3 doláres meia hora e 5 por uma hora. No quarto eu achei um wireless de graça, infelizmente não havia levado o meu computador mas fiquei acessando do meu iPhone.

Procurei algum tour na internet e até achei alguns, mas a maioria muito caro ou não tinha muita informação de como, quando ou onde. Scott me aconselhou a alugar um carro e fazer os tours sozinho mas que seria difícil achar carro porque a ilha tem um limite de carros que podem ser alugados. Ele fez algumas ligações e conseguiu uma 4×4 por 145 dolares por 24 horas. Achei um absurdo e falei que ligaria mais tarde porque precisava pensar.

Sai pra comer algo, em um restaurante do lado do Hostel. O Restaurante é bem agradável e o dono é super gentil. Faz o máximo pra te deixar em casa. Comida é OK, nada de mais.

Voltei pro Hostel, procurei novamente algum tour e todos em torno de 130, 140 doláres pra ir ver a lava do vulcão ativo ou 100 pra mais, pra ver o Mauna Kea. Embora eu ache um absurdo pensei que se eu não alugasse o carro eu acabaria fazendo nada em Big Island. Liguei o foda-se e aluguei o carro, das 4 da tarde até as 4 do outro dia.

Uma shuttle da compania foi me buscar, enquanto eu esperava eu conversava com Earl, um dos empregados do hostel, que me disse que poderia me levar pra ver a lava por 35 dolares. Infelizmente já havia alugado o carro.

Após pegar o carro, peguei a highway 11 e fui em direção ao lugar onde você vê a lava do vulcão. Scott mais uma vez me surgeriu ir pela costa em vez de ir por dentro, pegando a highway 11, depois cortando pra 132 e depois 137 e seguindo até o ponto onde as pessoas veêm a lava.

O caminho é muito agradável, tranquilo e passa por vários sítios. Poucos carros e é muito, mas muito calmo. É mais ou menos 1 hora até o ponto que você precisa chegar.

Passei pelo Lava Tree State Park e parei para algumas fotos, onde você vê árvores que foram queimadas pela lava, alias por onde você passa você vê marcas da lava, seja nas pedras, seja na vegetação ou nas árvores.

No caminho parei também no Ahalanui Park, onde tem uma piscina natural. Bonito cenário.

Chegando no destino, exitem várias placas e direções. Você estaciona o carro e percorre uma pequena trilha a pé. Fiquei meio decepcionado com a distância que você precisa estar. Fotos decentes só com tripé e olhe lá. Depois descobri que é por causa das explosões. Até o começo do ano de 2008 as pessoas podiam andar pelas lavas, você podia ver lava debaixo das pedras, que na verdade era o que eu esperava ver. Legal mas nada de emocionante como eu esperava. Existem tours que te leva de barco onde a lava cai no mar, derrepente é algo que vale a pena, alias, entre pagar 100+ doláres só pra ir la ver a lava e ir de barco e pagar um pouco mais eu iria de barco fácil. Fica a dica.

No dia seguinte, como eu sabia que o Mauna Kea abriria as 9 eu acordei bem cedo. Para a minha decepção o dia estava bastante nublado e choviscando. Roguei praga, chinguei, fiquei bem chateado. Fui de qualquer jeito. São algo em torno de 30 milhas até lá e mais uma vez o caminho é bastante agradável. Continuava choviscando e as nuvens nem sinal de dar trégua. Um pontinho azul do céu bem no horizonte me dava esperança.

Quando você chega na entrada em direção ao Visitor Centre e começa a subida é algo surreal. Você simplesmente passa no meio da neblina, das nuvens, e quando você percebe o céu está brilhando e o céu está azul. É algo impressionante. Me senti ridículo por ter ficado tão chateado, devia ter mais fé! Deus faz coisas tão interessantes que é até difícil de acreditar. Passar entre as nuvens, vai imaginar.

Enfim, quando você começa a subida acaba percebendo que a temperatura também começa a baixar. É recomendado ficar pelo menos uns 30 minutos no Visitor Centre pra poder acostumar com a altitude que até lá já são 9 mil pés. No topo chega a quase 15 mil pés.

A subida é recomendado uma 4×4, razão pela qual eu aluguel uma, mas eu vi vários carros que de 4×4 não tinham nada em direção ao topo, o que eles chamam Summit. Dica, se for pra chegar só até o Visitor Centre nem vá, porque eu não vi nada de interessante por lá, a não ser essa experiência de passar pelas nuvens. Se não está de 4×4, por mais caro que seja, recomendo um tour até o topo.

Chegando no topo é incrível, todo rodeado de neve, que alias, Mauna Kea significa “montanha branca”. Fazia quase 0 grau mas a sensação térmica era muito menos por causa do vento. Leve uma jaqueta bem grossa, porque com o meu moleton eu passei frio. Nos observatórios, só podia entrar em um, que na verdade você entra em uma portinha pra poder ver a estrutura do telescópio, nada que uma foto conseguisse mostrar como é dentro, só estando lá pra ver a monstruosidade que é o telescópio. De acordo com o video que eu assisti no Visitor Centre, o telescópio é tão potente, que pra ter uma ideia se estivesse em New York, conseguiria ler a manchete de um jornal em Los Angeles perfeitamente. Incrível.

O topo do vulcão em si é rodeado de neve. Em uma das fotos que eu vi, tinham 2 snowboarders escalando pra poder descer. Isso sim, seria uma experiência inacreditável. Vai ficar pra minha “To do” na próxima visita ao Hawaii. :P

Voltei pro Hostel umas 4:30 da tarde e fiquei vendo TV. Sem carro em downtown não dá pra fazer nada na ilha, fiquei tentando matar meu tempo. Fiquei trocando ideia com o povo que estava na sala e Scott veio me pedir um favor, pra posar de casal com uma canadense que também estava na sala, que iria sair no jornal. Não estava fazendo nada mesmo, porque não? :P Enfim, digamos que sou famoso agora no Hawaii, he he, sai na primeira página do Hawaii Tribute-Herald. Tudo bem que não vi o sentido da foto estar na capa sendo que nem matéria a foto tem, é apenas a foto e uma legenda falando do hostel, mas quem se importa né? Importante é sair na capa, ficar chato e distribuir autógrafo, ha ha ha.

Em um overall, foi legal, gastei aproximadamente 400 dolares pra apenas 2 dias, mas acabei vendo cenários que eu nunca pensei que veria.

Na minha opinião, uma viagem legal pra Big Island seria uns 5 dias, alugando um carro pequeno, e rodeando a ilha, pois segundo as pessoas que eu conversei tem várias praias e parques pra se ver. Sugiro acampar enquanto está por lá, pois custa 5 doláres a permissão de acampamento. No caso de alugar um carro pequeno, e mesmo assim querer visitar o topo do Mauna Kea, pare no Visitor Centre e espere até que algum 4×4 pare por lá e peça pra subir com alguém, duvido que alguém te negará.

Hoje parto pra Los Angeles, mando mais notícia de lá.

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