Mochilão com Rafael Faria

The world is a book, and those who do not travel read only a page. (St. Augustine)

Os souks e o assédio em Marrakesh

Em Marrakech fiquei no Equity Point Hostel, que fica no Place DJemaa El Fna, uma praça na Medina de Marrakesh. O nome da praça pode ser traduzido como “Assembleia dos Mortos”, pois ali, há séculos, criminosos eram executados e a cabeça deles, exposta para servir de exemplo. No entanto, como a palavra Djemaa também significa mesquita, o nome do local pode ser traduzido como “Lugar da mesquita desaparecida”, como referência a uma mesquita almorávida destruída.

Praça Djemaa El Fna

Me assustou um pouco com os valores das diárias. Por volta de €17-€20. Eu achava que seria MUITO mais barato, mas lendo os posts você vai descobrir que o país não é lá tão barato.

Como cheguei cedo, resolvi andar um pouco pelas ruas, praças e arredores. Fiquei impressionado com aquela cidade monocolor, principalmente pela experiencia de andar pelos corredores dos souks, uma experiência memorável. Na praça é uma loucura, a noite fica ainda mais movimentada. Encantadores de cobra, tatuadoras de henna, pessoas com tambores, macacos, pessoas tentando te entreter de todas as formas. E o assédio é bastante forte, eles querem te vender ou tirar dinheiro de você de todas as formas.

Eu acabei aprendendo no primeiro contato com um deles. Dei bola e me levaram €3, e eles são loucos por euros. Depois disso fiquei até com medo de chegar perto, queria tirar foto com os encantadores de cobras, ou com os macacos mas tinha medo de quanto eles iriam querer cobrar por algo assim. Eles são muito mais espertos que nós, acredite. A partir dai comecei a ignorar, se alguém chegasse perto querendo fazer alguma graça ou tentando vender algo eu simplesmente continuava andando sem dar muito moral e funcionou muito bem.

Perdi €3 nessa brincadeira ai! :)

Isso não tirou o meu encanto pelo lugar, toda esse comportamento, um tanto quanto diferente, na verdade me impressionou. Eu estava com sede para aprender sobre o lugar e suas culturas, principalmente pelos seus comportamentos que então aprendi que é diferente de cidade pra cidade.

Na praça, você encontra várias lojinhas de artefatos locais, shishas (o nosso narguilê), objetos de decorações, utensilhos de cozinha, roupas, é como se fosse um camelô praticamente infinito, onde você olha tem um tipo de loja, na maioria uma igual a outra. Se você quer comprar algo, barganhe, porque eles jogam o preço lá em cima e normalmente você consegue comprar pela metade ou muito menos. Mas só faça isso se realmente estiver disposto a comprar.

Fiquei viciado no suco de laranja que se vende nos carrinhos que ficam no meio da praça. Custa 3 MDh (aprox. 0,30 euros) e é uma disputa de vendedores quando você começa a caminhar em direção a eles. É quase engraçado.

Suco de Laranja da Praça, Imperdível!

Pra tentar aproveitar o máximo do meu dia eu dei uma volta aos arredores, conheci algumas mesquitas, por fora, pois não é permitido a entrada, e jardins. Me esbarrei em uma agência de viagem, a Mami Tour, que acabou me convencendo que aqueles ônibus vermelho que fazem uma rota pela cidade, chamado Marrakech Tour, seria a forma mais rápida e prática de conhecer a cidade e como eu queria fazer o máximo proveito do meu dia acabei cedendo. Me custou 150 MDh (aprox. €15) e o ticket vale por 24 horas. Ainda na agência de viagem acabei reservando um tour de 3 dias e 2 noites ao deserto do Sahara.

Entrei no ônibus por volta das 5 da tarde e a sua rota passa por pontos como: Théâtre Royal, Palais des Congrès, Jardin de La Ménara, Casino de Marrakesh, Palais El Badii, Palais La Bahia, Place Djemaa El Fna, La Mamounia entre outros.

Marrakesh Tour

Koutoubia Moskee

Um segundo percurso, chamado Marrakech Romantique (La Palmeraie), também é interessante de se fazer e esta incluso no preço. Este passa por um caminho cheio de palmeiras e hoteis mais luxuosos, um cenário diferente do primeiro percurso. Com certeza vale a pena.

Circuito La Palmeraie

O sol castiga, um calor que chegava à 40 graus mesmo com o sol mais baixo. Sugiro, e tenho certeza que estando lá você verá a necessidade, de andar sempre com uma garrafa de água.

Às 7 voltei para o meu albergue e acabei fazendo amizade com 2 ingleses que eram descendentes de Sírios e Libaneses, portanto falavam árabe, uma das línguas principais de Marrocos, além do berber e do francês.

Tenho que confessar que andar com alguém que fala árabe é uma experiência totalmente diferente, principalmente com o tratamento das pessoas para com você. Andamos pelos souks e pela praça durante a noite onde é fácil se perder pelos souks e suas lojas. Caso isso aconteça não se desespere, é bem fácil achar alguém que te guie para um ponto onde você consiga se localizar, claro, por uma mera comissão.

Ruelas dos souks e suas lojas

Resolvemos dar o dia por encerrado e voltamos ao albergue onde ficamos no terraço conversando e fumando o narguilê, que você pode alugar no próprio hostel.

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