Mochilão com Rafael Faria

The world is a book, and those who do not travel read only a page. (St. Augustine)

O casamento marroquino

Me encontrei com Ali Abdul no hotel onde ele estava hospedado e logo o seu irmão, Elalaoui, chegou ao hotel. Este não falava muito bem o inglês e várias vezes nos pegamos um fazendo mímica para o outro, uma situação um tanto engraçada. Me serviram um chá de hortelã, bem tradicional no Marrocos, do qual eu fiquei viciado.

Saimos para almoçar e eles me levaram em um restaurante tradicional, muito bom. Lá comemos a kafta e linguiça com um molho especial que eles tem. O restaurante fica próximo a praça Djemaa El Fna embora eu não tenha conseguido encontrar novamente quando procurei em outra oportunidade.

Mais uma vez não me deixaram pagar a minha conta.

Almoçando um pouco da comida local

Elalaoui, é contador e conhece muitas pessoas do souk, segundo Ali por causa disso as pessoas quando não dá presente, ele consegue vários discontos quando sai para fazer compras ou simplesmente fazer a contabilidade de várias lojas ali.

Voltamos para o hotel, ficamos conversando um bom tempo e tomando uma cerveja. Fiz mil perguntas sobre os casamentos e eles me contaram que um casamento marroquino normalmente vai até muito tarde e dependendo das condições da família pode durar até 7 dias. Quem estava casando era a sobrinha deles, e a familía deles não tinha tantas condições assim portanto seria algo mais simples.

A noite, nos encontramos na casa de Elalaoui, onde estes insistiram em me vestir a rigor para o casamento, me deram uma calça, sandalhas, regatas e uma jalaba (própria de casamento). Ficaram fazendo várias piadinhas e se divertindo as minhas custas. O que eu acabei respondendo com sorriso no rosto.

Vestido a rigor pro casamento

No casamento consersei com algumas poucas pessoas que falavam inglês e me envolvi com as crianças que apesar de não falar nada de inglês mais uma vez foi interessante praticar a mímica, o que eles parecem entender muito mais fácil que um adulto. Quando Ali falou pra eles que eu era brasileiro logo ficaram me rodeando e fazendo brincadeiras.

Ali Abduh, pai da noiva e o sobrinho dele

A noiva é a primeira a entrar, diferente do Brasil, ela entra toda de verde, carregada por 4 homens que vão de mesa em mesa fazendo uma festa. Quando finalmente colocam ela no chão, ela senta numa especie de trono e algumas mulheres começam a tatuar os pés e as mãos com a henna, um tipo de pintura tradicional do Marrocos.

A noiva fazendo a sua entrada

As mulheres tutando a noiva com henna

O homem demorou bastante para entrar, parece que aqui os papéis se invertem. Ali já estava impaciente, me dizendo que estava com fome e que queria ir embora pra comer, isso já eram quase 1h30 da manhã e a comida só seria servida muito depois que o noivo entrasse. Eu falei pra ele que eu gostaria muito de pelo menos ver o noivo entrando pra encerrar a cerimonia.

O noivo então entrou lá pelas 2h15, em um cavalo atrás de uma carreata e as pessoas cantando à sua frente. Eu tive a impressão que eles não se conheciam. E ao contrario do Brasil, onde o casamento é, teoricamente, o dia mais feliz da vida de um casal, estes não pareciam se sentir assim, não foram muitas vezes que consegui ver um sorriso no rosto do casal. E juntos, eles pareciam mais irmãos do que um casal. Em marrocos é normal os pais escolherem o marido da filha, e segundo uma outra pessoa que eu conheci, algumas famílias preferem manter o casamento entre família, e no caso dela por exemplo, ela se casou com um primo.

O noivo entrando à cavalo

O casal e alguns familiares

Me chamaram para dançar lá na frente, onde os noivos também dançavam e as crianças se esforçavam para que eu dançasse no meio de todo mundo.

Eu no meio da muvuca

Ali Abduh me chamou para comer antes de todo mundo, e assim que terminamos resolvi ir embora. Ali me deixou na porta do souk onde estava o meu hostel e confesso que é bem assustador andar no meio dos “becos” às 3h30 da manhã.

Foi uma experiência um tanto quanto única e me senti privilegiado por isso. Com certeza será algo que eu nunca vou esquecer e estará sempre no meu hall de estórias para contar! :)

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