Mochilão com Rafael Faria

The world is a book, and those who do not travel read only a page. (St. Augustine)

Archive for the 'Marrocos' Category

Viagem ao deserto: Dia 3 – Merzouga até Ouarzazate

Acordei por volta das 5 da manhã para tentar ver o nascer do sol. Para a minha surpresa uma vontade enorme de ir ao banheiro me acertou. Minha sorte é que o italiano que estava conosco teve um problema de diarréia no primeiro dia e estava carregando papel higiênico na mochila.

Acabei indo 2x seguidas ao “banheiro”, com uma diarréia muito forte, o que começou a me preocupar um pouco.

O nascer do sol é realmente algo único, mas nada comparado com a noite do deserto. Ficamos tão apaixonado pelo lugar que eu e o casal de poloneses estavamos convesando sobre ficar mais uma noite por ali.

Nascer do sol no deserto

Antes das 9 da manhã já estavamos de volta nos camelos seguindo o nosso caminho de volta. Tínhamos levado 2 garrafas de água na noite anterior e se posso dar um conselho baseado na minha experiência eu diria, “água NUNCA é demais”. Se eu voltasse lá, teria levado pelo menos umas 4 ou 5 garrafas. Por causa da pouca água tivemos que ficar fazendo um “racionamento” para tentar administrar o pouco que tínhamos.

Já nos camelos comecei a ficar um pouco tonto, parei mais umas 2x no caminho por conta da diarréia, e comecei a ficar preocupado porque o calor era realmente muito intenso.

A caravana na volta pro hotel

A caravana na volta pro hotel

Chegando de volta em Merzouga, me sentia um pouco tonto ainda, pressão um pouco baixa mas achava que aquilo era do calor e que logo melhoraria. Não sentia vontade de comer o café da manhã mas aceitei uma melancia e um suco de laranja.

Fomos até a cidade onde tínhamos reservado um tour de quadricículos pelas dunas do deserto. O tour de 1 hora nos custou 400 MDh. Como já estava por ali achei que valeria a pena.

Nos quads, andando pelas dunas do Saara

Nos quads, andando pelas dunas do Saara

Tudo estava sobre controle, mas o calor e o sobe e desce das dunas mecheram um pouco com o meu organismo. Chegamos no topo de uma das dunas minha pressão abaixou e vomitei, praticamente tudo que eu havia comido e toda água que havia bebido. Percebi um pouco de sangue no vômito também mas não me preocupei muito. Me sentia muito melhor depois daquilo.

Na volta à cidade eu sentia muita sede. Fui direto comprar água e tomei praticamente 1l de água gelada. Mas na mesma hora que eu tomei eu vomitei toda a água e desta vez com o estômago vazio a única coisa que veio foi sangue, e muito sangue. Suficiente para me deixar preocupado, alias, deixar todo mundo preocupado.

O motorista da van me levou em um hospital público, onde me o médico me falou que era um “bug” de algo que eu tinha comido ou bebido. Embora ninguém mais da excursão tenha tido algum problema, ficou difícil achar a causa de tudo isso.

Ele me disse que eu ficaria bem em alguns minutos mas a minha sede era algo muito maior que eu, nunca senti tanta sede na minha vida e parecia que o meu corpo pedia cada vez mais. E não adiantava, cada vez que eu bebia uma quantidade grande de água eu vomitava ele inteirinho.

Com o casal de poloneses, eu havia resolvido ir para Agadir a partir daqui. Eles concordaram em ficar em Ouarzazate e pegarmos o ônibus até Agadir no outro dia.

Eu me sentia muito fraco, minha pressão abaixava o tempo inteiro e eu não conseguia ficar nem sentado. Paramos numa farmácia e compramos os remédios que o médico havia receitado e continuamos viagem.

Durante as 5 horas até Ouarzazate eu visitei os banheiros mais nojentos da minha vida e vomitei mais umas 3 ou 4 vezes até que os remédios começassem a fazer efeito. O que me deixou muito mais disposto umas 3 ou 4 horas depois.

A viagem parecia eterna e não sei como agradecer por toda a compreensão e preocupação de todo o grupo do tour em me fazer sentir melhor.

Chegando em Ouarzazate, fizemos check-in em um hotel, onde pagamos 400 MDh em um quarto com 3 camas. O Hotel tinha piscina e ar condicionado o que me fez me sentir muito melhor depois de um mergulho e uma boa noite de sono.

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Viagem ao deserto: Dia 2 – Gorges Dadès até Merzouga

Logo cedo seguimos para Tinghir, onde conhecemos um pouco da história local, passeamos pelas plantações de azeitona, hortelã, palmeiras, couscous, dentre outras coisas que eles cultivam e do kasbah que existe na cidade, onde também fomos guiados pela vila e conhecemos um pouco da história do lugar.

Plantação de onde eles tiram o couscous, prato típico do país

Ali também paramos para um chá e uma visita com um vendedor de tapetes, onde ele explica o processo de fabricação dos tapetes e como eles arrecadam dinheiro para a associação que toma conta do kasbah.

Um pouco sobre a fabricação dos tapetes

Continuando viagem passamos pelo Todra Gorges, uma outra “garganta”, onde temos a oportunidade de andar pelo rio que atravessa os paredões do lugar. Um visual realmente muito bonito.

Caminhando pelo rio que corta Todra Gorges

Já no final da tarde, finalmente chegamos à um hotel em Merzouga onde sairiamos para o acampamento no deserto.

O tempo não estava muito bom e tempestades de areia atrasaram um pouco o nosso caminho para o acampamento. Ficamos tocando (no meu caso tentando), tocar repercussão junto com o pessoal local.

Tentando aprender um pouco da batida

A vista do terraço do hotel

Infelizmente perdemos o por do sol por conta disso.

Por volta das 7h finalmente começamos a nossa aventura pelo deserto do Saara. Eu não podia me conter de expectativas. Confesso que ao tocar as areias laranjas do Saara me emocionei, me tocando que estava realizando um sonho. Andar pelas areias do Saara.

No caminho para o acampamento

Depois de 1h30 em cima de um camelo, que confesso não é nada confortavel, e andar pelas dunas do Saara, finalmente chegamos ao acampamento.

Deserto do Saara

Ali conversamos com os nossos guias, que admitiram ficarem até 3 dias sem água. Faziam graça se comparando aos camelos.

Após tomarmos chá e jantarmos, tivemos um pouco de descanso antes de alguém ter a idéia de escalar uma grande duna que fica ao lado do acampamento. Olhando de baixo não parece muito difícil, mas quando começamos a subida entendemos o quanto era íngrime aquele montante de areia. Para os guias, eles pareciam estar andando em um lugar plano, nem sinal de cansaço eles demonstravam, enquanto nós tivemos que parar pelo menos umas 6 vezes para pegar o fôlego antes de finalmente chegar ao topo.

Conversando e batucando

Olhando o deserto ali de cima, à luz da lua cheia que iluminava todo o limite de visão que tinhamos, a vista era simplesmente indescritível. Eu fiquei pelo menos uns 30 minutos admirando aquele lugar e sinceramente, é uma das vistas lindas e memoráveis da minha vida. Aquilo ali não tem preço. É demais.

A noite, ao contrário do que imaginavamos, é bem fresco. Dormimos no relento onde tínhamos planejado acordar as 5h30 para ver o nascer do sol.

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Viagem ao deserto: Dia 1 – Marrakesh até Gorges Dadès

Saimos de Marrakesh bem cedo, por volta das 7 da manhã. Conheci o grupo de pessoas, uma australiana e o namorado francês, os pais dela que eram australianos também. Um casal de poloneses e um italiano. Nos entrosamos muito fácil e fico muito feliz de ter ido com esse grupo.

A estrada começa a subir o Atlas, no centro do país, com a orientação leste-oeste, cujo ponto mais alto é o monte Tubkal. Ali paramos para tirar algumas fotos. A vista é realmente muito bela.

Atlas Mountains

Um pouco mais pra frente paramos no Ait Benhaddou, uma cidade fortificada, na antiga rota de caravanas entre o Saara e Marrakesh. Situa-se numa colina à beira do rio Quarzazate. A cidade é constituída por um grupo de várias pequenas fortalezas, ou kasbahs, chegando a ter dez metros de altura cada uma. A maioria dos habitantes da cidade vivem agora numa aldeia mais moderna, no outro lado do rio; no entanto, quinze famílias ainda vivem no ksar. Neste ksar foram filmados vários filmes famosos, incluindo Lawrence da Arábia, A Múmia, Gladiador e Alexandre, entre outros.

Ait Benhaddou, ao fundo

O lugar foi declarado Património Mundial da UNESCO em 1987.

Ali um guia, um jovem super engraçado, te leva para conhecer o interior do ksar. Segundo ele, ele participou da figuração do Gladiador e por causa dos turistas fala até 7 línguas incluindo o japonês que segundo ele consegue entender um pouco e soltar algumas frases.

O guia pelo kasbah de Ait Benhaddou

Que alias, eu achei isso uma das coisas mais fantasticas do Marrocos. As pessoas, apesar de terem condições na maioria das vezes muito abaixo de países muito mais desenvolvidos, mesmo assim falam 4,5 até 6 línguas. São um povo realmente muito inteligente.

No almoço, paramos em um restaurante em Ouarzazate, também chamada como a porta do deserto.

Almoço regado de muito tangine e cuzcuz

Depois atravessamos o Skoura oasis, Kalaat M’gouna (castelos e cidade histórica), e o vale das rosas até chegarmos em Dadès Gorges. Gorges é um tipo de “garganta”, uma passagem estreita que normalmente tem um rio.

Dadès Gorges

Dormimos ali perto em um hotel, que esta incluso já no preço. Além do hotel está incluso jantar e café da manhã.

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Viagem ao deserto do Saara

Ainda lembro quando eu estava na Australia, na casa do meu amigo Bruno e assistíamos um documentário sobre o deserto do Saara. Eu virei pra ele e falei, “Bruno, eu ainda vou estar ali”. Começar a minha jornada pra realizar um sonho é algo que não tenho como explicar com palavras mas prometo que vou tentar.

O tour para o Saara durou 3 dias e 2 noites, embora eu não lembre muito bem o nome de cada cidadela que passamos e/ou paramos vou tentar trazer o maior número de detalhes possível de cada dia.

Marquei a viagem com o Mami Tour e o custo sai por volta de 900 MDh, embora você consiga descer isso para 850 MDh se chorar muito.

Nos próximos posts, segue o detalhe de cada dia.

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Crítica de Albergue – Marrakesh

Eu achei Marrakesh, ou Marrocos em geral um pouco acima da média de preço que eu estava esperando pagar. Os albergues então nem se falam, paguei em uma média de €13 à €15 enquanto eu esperava pagar a metade desta quantia.

Nas duas vezes que visitei Marrakesh eu fiquei no hostel chamado Equity Point, Riad Amazigh, localizado no meio das ruelas dos souks da medina de Marrakesh. Assim como os outros, encontrei ele no hostelworld.com

Fica a 5 minutos da praça Djemaa El Fna e pode ser um pouco trabalhoso chegar lá pela primeira vez embora as direções no site são bem claras.

Os quartos são bem confortaveis. Tive a oportunidade de ficar em um quarto de 6 camas e de 10 camas e todos tem um design bem legal. Embora o de 10 camas seja mais barato (e portanto mais difícil de conseguir uma vaga), é o único que tem ar condicionado. No resto dos quartos você tem que se contentar com um ventilador.

Os quartos privativos também são bem legais. Se você está viajando de casal é uma ótima pedida. Os banheiros tem até banheira e são super aconchegantes.

O hostel é bem limpo. Oferece toalha e roupa de cama limpas todos os dias.

Na recepção você tem 2 computadores com internet de graça e wi-fi. Uma sala super bem decorada com mesas de centro bem legal para interagir com as pessoas e fumar narguilê.

Recepção do Albergue

No terraço você tem a área de café da manhã (que está incluido no preço) e uma área aberta que dá pra ver por cima da medina, entre as ruelas e lojas do souks. O por do sol entre as construções é algo bem bonito e recomendo curtir um narguilê no terraço do topo onde você pode relaxar e curtir um ar fresco com os amigos.

Gostei muito do hostel, tanto que voltei nos últimos dias de Marrakesh. Fica aqui a minha recomendação e caso você tenha alguma outra recomendação por favor fique a vontade para fazer nos comentários.

Nome: Equity Point
Site: http://www.equity-point.com/
Diária mais barata: €15 em um quarto com 6 camas.

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O casamento marroquino

Me encontrei com Ali Abdul no hotel onde ele estava hospedado e logo o seu irmão, Elalaoui, chegou ao hotel. Este não falava muito bem o inglês e várias vezes nos pegamos um fazendo mímica para o outro, uma situação um tanto engraçada. Me serviram um chá de hortelã, bem tradicional no Marrocos, do qual eu fiquei viciado.

Saimos para almoçar e eles me levaram em um restaurante tradicional, muito bom. Lá comemos a kafta e linguiça com um molho especial que eles tem. O restaurante fica próximo a praça Djemaa El Fna embora eu não tenha conseguido encontrar novamente quando procurei em outra oportunidade.

Mais uma vez não me deixaram pagar a minha conta.

Almoçando um pouco da comida local

Elalaoui, é contador e conhece muitas pessoas do souk, segundo Ali por causa disso as pessoas quando não dá presente, ele consegue vários discontos quando sai para fazer compras ou simplesmente fazer a contabilidade de várias lojas ali.

Voltamos para o hotel, ficamos conversando um bom tempo e tomando uma cerveja. Fiz mil perguntas sobre os casamentos e eles me contaram que um casamento marroquino normalmente vai até muito tarde e dependendo das condições da família pode durar até 7 dias. Quem estava casando era a sobrinha deles, e a familía deles não tinha tantas condições assim portanto seria algo mais simples.

A noite, nos encontramos na casa de Elalaoui, onde estes insistiram em me vestir a rigor para o casamento, me deram uma calça, sandalhas, regatas e uma jalaba (própria de casamento). Ficaram fazendo várias piadinhas e se divertindo as minhas custas. O que eu acabei respondendo com sorriso no rosto.

Vestido a rigor pro casamento

No casamento consersei com algumas poucas pessoas que falavam inglês e me envolvi com as crianças que apesar de não falar nada de inglês mais uma vez foi interessante praticar a mímica, o que eles parecem entender muito mais fácil que um adulto. Quando Ali falou pra eles que eu era brasileiro logo ficaram me rodeando e fazendo brincadeiras.

Ali Abduh, pai da noiva e o sobrinho dele

A noiva é a primeira a entrar, diferente do Brasil, ela entra toda de verde, carregada por 4 homens que vão de mesa em mesa fazendo uma festa. Quando finalmente colocam ela no chão, ela senta numa especie de trono e algumas mulheres começam a tatuar os pés e as mãos com a henna, um tipo de pintura tradicional do Marrocos.

A noiva fazendo a sua entrada

As mulheres tutando a noiva com henna

O homem demorou bastante para entrar, parece que aqui os papéis se invertem. Ali já estava impaciente, me dizendo que estava com fome e que queria ir embora pra comer, isso já eram quase 1h30 da manhã e a comida só seria servida muito depois que o noivo entrasse. Eu falei pra ele que eu gostaria muito de pelo menos ver o noivo entrando pra encerrar a cerimonia.

O noivo então entrou lá pelas 2h15, em um cavalo atrás de uma carreata e as pessoas cantando à sua frente. Eu tive a impressão que eles não se conheciam. E ao contrario do Brasil, onde o casamento é, teoricamente, o dia mais feliz da vida de um casal, estes não pareciam se sentir assim, não foram muitas vezes que consegui ver um sorriso no rosto do casal. E juntos, eles pareciam mais irmãos do que um casal. Em marrocos é normal os pais escolherem o marido da filha, e segundo uma outra pessoa que eu conheci, algumas famílias preferem manter o casamento entre família, e no caso dela por exemplo, ela se casou com um primo.

O noivo entrando à cavalo

O casal e alguns familiares

Me chamaram para dançar lá na frente, onde os noivos também dançavam e as crianças se esforçavam para que eu dançasse no meio de todo mundo.

Eu no meio da muvuca

Ali Abduh me chamou para comer antes de todo mundo, e assim que terminamos resolvi ir embora. Ali me deixou na porta do souk onde estava o meu hostel e confesso que é bem assustador andar no meio dos “becos” às 3h30 da manhã.

Foi uma experiência um tanto quanto única e me senti privilegiado por isso. Com certeza será algo que eu nunca vou esquecer e estará sempre no meu hall de estórias para contar! :)

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Os souks e o assédio em Marrakesh

Em Marrakech fiquei no Equity Point Hostel, que fica no Place DJemaa El Fna, uma praça na Medina de Marrakesh. O nome da praça pode ser traduzido como “Assembleia dos Mortos”, pois ali, há séculos, criminosos eram executados e a cabeça deles, exposta para servir de exemplo. No entanto, como a palavra Djemaa também significa mesquita, o nome do local pode ser traduzido como “Lugar da mesquita desaparecida”, como referência a uma mesquita almorávida destruída.

Praça Djemaa El Fna

Me assustou um pouco com os valores das diárias. Por volta de €17-€20. Eu achava que seria MUITO mais barato, mas lendo os posts você vai descobrir que o país não é lá tão barato.

Como cheguei cedo, resolvi andar um pouco pelas ruas, praças e arredores. Fiquei impressionado com aquela cidade monocolor, principalmente pela experiencia de andar pelos corredores dos souks, uma experiência memorável. Na praça é uma loucura, a noite fica ainda mais movimentada. Encantadores de cobra, tatuadoras de henna, pessoas com tambores, macacos, pessoas tentando te entreter de todas as formas. E o assédio é bastante forte, eles querem te vender ou tirar dinheiro de você de todas as formas.

Eu acabei aprendendo no primeiro contato com um deles. Dei bola e me levaram €3, e eles são loucos por euros. Depois disso fiquei até com medo de chegar perto, queria tirar foto com os encantadores de cobras, ou com os macacos mas tinha medo de quanto eles iriam querer cobrar por algo assim. Eles são muito mais espertos que nós, acredite. A partir dai comecei a ignorar, se alguém chegasse perto querendo fazer alguma graça ou tentando vender algo eu simplesmente continuava andando sem dar muito moral e funcionou muito bem.

Perdi €3 nessa brincadeira ai! :)

Isso não tirou o meu encanto pelo lugar, toda esse comportamento, um tanto quanto diferente, na verdade me impressionou. Eu estava com sede para aprender sobre o lugar e suas culturas, principalmente pelos seus comportamentos que então aprendi que é diferente de cidade pra cidade.

Na praça, você encontra várias lojinhas de artefatos locais, shishas (o nosso narguilê), objetos de decorações, utensilhos de cozinha, roupas, é como se fosse um camelô praticamente infinito, onde você olha tem um tipo de loja, na maioria uma igual a outra. Se você quer comprar algo, barganhe, porque eles jogam o preço lá em cima e normalmente você consegue comprar pela metade ou muito menos. Mas só faça isso se realmente estiver disposto a comprar.

Fiquei viciado no suco de laranja que se vende nos carrinhos que ficam no meio da praça. Custa 3 MDh (aprox. 0,30 euros) e é uma disputa de vendedores quando você começa a caminhar em direção a eles. É quase engraçado.

Suco de Laranja da Praça, Imperdível!

Pra tentar aproveitar o máximo do meu dia eu dei uma volta aos arredores, conheci algumas mesquitas, por fora, pois não é permitido a entrada, e jardins. Me esbarrei em uma agência de viagem, a Mami Tour, que acabou me convencendo que aqueles ônibus vermelho que fazem uma rota pela cidade, chamado Marrakech Tour, seria a forma mais rápida e prática de conhecer a cidade e como eu queria fazer o máximo proveito do meu dia acabei cedendo. Me custou 150 MDh (aprox. €15) e o ticket vale por 24 horas. Ainda na agência de viagem acabei reservando um tour de 3 dias e 2 noites ao deserto do Sahara.

Entrei no ônibus por volta das 5 da tarde e a sua rota passa por pontos como: Théâtre Royal, Palais des Congrès, Jardin de La Ménara, Casino de Marrakesh, Palais El Badii, Palais La Bahia, Place Djemaa El Fna, La Mamounia entre outros.

Marrakesh Tour

Koutoubia Moskee

Um segundo percurso, chamado Marrakech Romantique (La Palmeraie), também é interessante de se fazer e esta incluso no preço. Este passa por um caminho cheio de palmeiras e hoteis mais luxuosos, um cenário diferente do primeiro percurso. Com certeza vale a pena.

Circuito La Palmeraie

O sol castiga, um calor que chegava à 40 graus mesmo com o sol mais baixo. Sugiro, e tenho certeza que estando lá você verá a necessidade, de andar sempre com uma garrafa de água.

Às 7 voltei para o meu albergue e acabei fazendo amizade com 2 ingleses que eram descendentes de Sírios e Libaneses, portanto falavam árabe, uma das línguas principais de Marrocos, além do berber e do francês.

Tenho que confessar que andar com alguém que fala árabe é uma experiência totalmente diferente, principalmente com o tratamento das pessoas para com você. Andamos pelos souks e pela praça durante a noite onde é fácil se perder pelos souks e suas lojas. Caso isso aconteça não se desespere, é bem fácil achar alguém que te guie para um ponto onde você consiga se localizar, claro, por uma mera comissão.

Ruelas dos souks e suas lojas

Resolvemos dar o dia por encerrado e voltamos ao albergue onde ficamos no terraço conversando e fumando o narguilê, que você pode alugar no próprio hostel.

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Minha primeira visita à África

Durante todo o meu planejamento desta viagem, uma das coisas que eu mais comentava com os meus amigos era à ideia de visitar lugares exóticos, tentar fugir um pouco dos lugares mais turisticos e ver coisas novas e interessantes.

Marrocos é um pais que eu estava realmente interessado em conhecer. Pela sua cultura, religião e comportamento. Queria poder viver uma experiência que poucos tem oportunidade e que até então eu só havia lido ou visto pela TV.

Consegui um ticket por €150, ida e volta, saindo de Madrid e chegando em Marrakech pela easyJet. Já no aeroporto o choque cultural é visivel. As mulheres com seus trajes habituais, tampando o cabelo e muitas vezes até o corpo inteiro.

Como de praxe tentei enturmar com alguém, conheci um casal de brasileiros e logo logo me vi conversando com um marroquino chamado Ali Abduh, que era casado com uma espanhola e morava na alemanha. Estava indo para Marrakech para um casamento.

Conversamos durante todo o vôo, onde ele me contou sobre a vida no marrocos, sobre um pouco da vida dele e o quanto batalhou para chegar onde está. Assim como ele, compartilhei um pouco sobre essa parte da minha vida e contei sobre os meus planos de viagem.

Ele então me convidou para ir ao casamento que ele estava indo. Em um primeiro momento eu fiquei um pouco suspeito, mas pensei melhor e acabei aceitando o convite. Fiquei de me encontrar com ele no domingo onde iriamos almoçar em algum lugar e tomar uma cerveja antes de ir.

Já no aeroporto de Marrakesh, tudo muito tranquilo embora eles ainda estejam um pouco preocupado com a gripe suina. Me fizeram algumas perguntas e me liberaram. O visto para o Marrocos você pega no próprio aeroporto e, assim como os da Europa, não tem custo nenhum.

Aeroporto de Marrakesh

Como não tinha nada na carteira, apenas €10 na carteira resolvi tirar dinheiro logo no aeroporto. Nenhum dos meus cartões de créditos ou débitos da Australia funcionaram no aeroporto, felizmente consegui tirar dinheiro do meu cartão de crédito do Brasil, portanto esteja certo de ter em mãos dinheiro local, o MDh (dihram) antes de chegar só pra ter certeza que não terá o mesmo problema.

Aqui descobri que havia esquecido o meu cartão de memória da minha máquina dentro do meu computador que deixei na mala em Madrid. Abduh prontamente se ofereceu a me levar em uma loja para que eu comprasse outra, me ajudou a chegar onde eu tinha que chegar e nem me deixou pagar pelo taxi. Fiquei realmente impressionado com a sua hospitalidade, que mais para frente descobriria que isso é uma qualidade comum em alguns marroquinos.

Como os posts ficaram muito grandes, alguns estarei quebrando em diferentes posts, para ficar mais fácil tanto a leitura quanto para seguir o blog.

Continue acompanhando.

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